O anúncio do tema do Met Gala 2027 já provocou uma onda de debates antes mesmo da tradicional noite de gala acontecer. O Metropolitan Museum of Art, em Nova York, revelou que a próxima exposição do Costume Institute será intitulada "John Galliano: Horizons", dedicada ao trabalho do estilista John Galliano, de 65 anos. A escolha chamou atenção porque o designer teve a carreira profundamente abalada em 2011 após episódios de declarações racistas e antissemitas que culminaram em sua demissão da Dior.
Segundo informações divulgadas pela revista People e pela Vogue, a mostra pretende abordar não apenas o legado criativo de Galliano, mas também as controvérsias que marcaram sua trajetória. A homenagem faz dele apenas o terceiro estilista vivo a receber uma exposição individual do Costume Institute, depois de Yves Saint Laurent, em 1983, e Rei Kawakubo, em 2017.
Ao longo das décadas de 1990 e dos primeiros anos dos anos 2000, John Galliano foi considerado um dos maiores visionários da alta-costura. Sua carreira ganhou projeção internacional na Givenchy, em 1995, antes de assumir a direção criativa da Dior, cargo que ocupou entre 1997 e 2011. Mais tarde, comandou a Maison Margiela entre 2014 e 2024.
Entretanto, sua trajetória sofreu uma reviravolta em 2011. Naquele ano, o estilista foi preso após insultar verbalmente duas pessoas em um café de Paris. Outro episódio semelhante, ocorrido em 2010, também foi levado à Justiça. Além desses casos, um vídeo em que Galliano aparece declarando admiração por Hitler ganhou repercussão mundial.
Os episódios resultaram na condenação do estilista por dois crimes de ódio na França, além do pagamento de uma multa equivalente a cerca de US$ 8.500. Durante o julgamento, ele afirmou que não se lembrava dos ataques devido à dependência de álcool, Valium e medicamentos para dormir.
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As polêmicas voltaram ao centro das atenções em 2024 com o documentário "High & Low " John Galliano", dirigido por Kevin Macdonald. Na produção, o estilista revisita os acontecimentos que mudaram sua carreira e faz duras declarações sobre o próprio comportamento.
"Foi uma coisa nojenta. Horrível", afirma o designer no documentário, segundo a People. Em outro momento, ele reconhece que passou anos enfrentando o alcoolismo e afirma que permanece em recuperação até hoje.
Ainda no longa, Galliano diz que procurou sobreviventes do Holocausto, rabinos e especialistas para compreender melhor o impacto de suas atitudes. O estilista também admite que algumas pessoas jamais irão perdoá-lo, enquanto outras podem enxergar sua tentativa de reconstrução pessoal.
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As críticas em torno da homenagem aumentaram após o anúncio oficial do tema do Met Gala 2027, mas os organizadores garantem que a exposição não ignorará os acontecimentos de 2011.
Em comunicado reproduzido pela Vogue, Andrew Bolton, curador responsável pelo Costume Institute, explicou que "John Galliano: Horizons" pretende explorar tanto a evolução artística do estilista quanto as consequências de sua conduta e a forma como as mudanças culturais alteraram a percepção pública sobre sua obra.
A ideia, segundo ele, é apresentar toda a trajetória do designer, incluindo suas criações, influências e os momentos mais difíceis de sua carreira.
A decisão também recebeu apoio de Anna Wintour, ex editora-chefe da Vogue e atual diretora editorial global da publicação. Para ela, John Galliano continua sendo um dos maiores criadores da história da moda contemporânea. A jornalista declarou que sua carreira não pode ser definida por um único momento, embora tenha ressaltado que a exposição não esconderá os episódios negativos que marcaram sua vida profissional.
Segundo Wintour, a proposta é retratar o arco completo da trajetória do estilista, incluindo sua criatividade, suas contribuições para a moda e as consequências das escolhas que fizeram parte de sua história.
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Enquanto a homenagem ao Met Gala 2027 divide opiniões, John Galliano também vive um novo momento profissional. Após dois anos longe das passarelas, o estilista firmou uma parceria com a Zara, uma das maiores redes de varejo de moda do mundo.
Com passagens por casas como Dior e Maison Margiela, a chegada do designer à marca espanhola é vista como um movimento estratégico da empresa e também como um possível sinal de transformação no segmento da fast fashion.
Assim, poucos dias depois de ter seu nome confirmado como tema da principal exposição de moda de 2027, John Galliano volta ao centro das atenções, desta vez cercado por discussões que misturam talento, legado, responsabilidade e os limites entre reconhecer uma contribuição artística sem apagar episódios controversos do passado.